A Ramp, empresa americana de gestão de despesas corporativas, publicou seu relatório de gastos do verão de 2026 com um dado que chama atenção. Entre as empresas que mais investem em inteligência artificial, o 1% do topo, o gasto mediano mensal com IA chegou a US$ 7.401 por funcionário. Na empresa mediana, foram US$ 12. A diferença é de cerca de 620 vezes.
O levantamento analisa transações anonimizadas de mais de 70 mil empresas e considera assinaturas de modelos de linguagem, ferramentas de programação com agentes, consumo de API e gastos com GPUs e infraestrutura em nuvem.
Adoção ampla, intensidade concentrada
Segundo o índice, 56% das empresas americanas da base pagaram por ferramentas ou plataformas de IA em julho, cerca de cinco pontos percentuais a mais do que no trimestre anterior. Por isso, a Ramp passou a acompanhar não só quem adota, mas quanto cada empresa usa.
Os contrastes aparecem também por perfil. Empresas apoiadas por venture capital gastam mediana de US$ 76 por funcionário ao mês, contra US$ 7 nas controladas por fundos de private equity. Pequenas empresas, com até 24 funcionários, gastam US$ 23 por pessoa, contra US$ 3 nas que têm 100 ou mais.
O que os números sugerem
O valor da empresa mediana corresponde, grosso modo, a uma licença básica de assistente de IA. Já no topo, o gasto reflete agentes rodando tarefas, automações e consumo intenso de modelos, cobrados por uso. Em edição anterior do índice, a Ramp observou que as maiores usuárias combinam vários modelos de ponta com alternativas abertas e mais baratas para controlar custos.
O que levar para a sua empresa
- Adoção não é resultado: licenças distribuídas sem casos de uso claros viram custo fixo com pouco retorno.
- Cobrança por uso exige governança: com agentes e APIs, o custo acompanha o volume. Orçamento, limites e monitoramento passam a ser obrigatórios.
- Escolha o modelo pela tarefa: usar o modelo mais caro para tudo é o jeito mais rápido de estourar o orçamento.
- Meça valor por processo: compare o gasto com IA ao custo e ao resultado do processo que ela apoia.
A distância entre quem usa IA como ferramenta de escritório e quem a usa como parte da operação tende a crescer. O ponto não é gastar mais, e sim gastar onde há retorno mensurável.
Fontes
