Google investe US$ 15 bilhões na Finlândia e fecha seu primeiro contrato de energia nuclear fora dos EUA

O maior investimento da empresa na Europa mostra que a disputa por data centers de IA passou a ser, antes de tudo, uma disputa por energia.

Google investe US$ 15 bilhões na Finlândia e fecha seu primeiro contrato de energia nuclear fora dos EUA

O Google anunciou em 9 de setembro que vai investir pelo menos 13 bilhões de euros, cerca de US$ 15,1 bilhões, em infraestrutura de inteligência artificial na Finlândia. É o maior investimento isolado da empresa na Europa.

O pacote inclui data centers e infraestrutura nas cidades de Hamina, Kajaani, Muhos e Vaala, além de melhorias na rede elétrica e projetos de energia limpa e baterias. As obras estão previstas para 2027 e 2028. Segundo a empresa, o investimento deve contribuir com cerca de US$ 3,6 bilhões para o PIB finlandês na fase de construção e sustentar aproximadamente 7 mil empregos por ano após a entrada em operação.

Energia nuclear entra no contrato

O anúncio veio acompanhado de um acordo de 22 anos com a Fortum, operadora de energia finlandesa, para compra de até metade da produção de uma das duas usinas nucleares do país. É o primeiro contrato de energia nuclear do Google fora dos Estados Unidos. As empresas também vão estudar novos projetos nucleares e renováveis.

Por que a Finlândia

O clima frio reduz o custo de resfriar os servidores, e o país tem oferta abundante de eletricidade de baixo carbono. Empresas como Microsoft e ByteDance também buscam instalações por lá. A Alphabet elevou seu plano global de investimentos para 2026 para a faixa de US$ 195 bilhões a US$ 205 bilhões.

O recado para o Brasil

O caso reforça que energia é o principal ativo na corrida por data centers de IA. O Brasil tem uma matriz elétrica majoritariamente renovável e acaba de criar incentivos fiscais para o setor, mas analistas apontam a capacidade de conexão à rede e a velocidade de licenciamento como gargalos.

Para as empresas usuárias de nuvem, a tendência é clara: custo e disponibilidade de capacidade computacional vão depender cada vez mais de onde há energia limpa, barata e disponível. Isso deve pesar na escolha de regiões e na negociação de contratos nos próximos anos.


Fontes

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