O Carrefour passou a vender mais de 1,3 mil itens na Amazon Brasil, entre eletrodomésticos, eletrônicos, smartphones e produtos de mercearia não perecíveis. A rede atua como vendedora independente e cuida de toda a operação, de estoque a entrega e pós-venda, a partir do centro de distribuição de Cajamar (SP).
É o terceiro grande varejista a entrar na plataforma em 2026. As Casas Bahia começaram a vender alguns produtos em março, e o Magazine Luiza passou a oferecer cerca de 12 mil itens em junho.
Concorrente também é canal
A lógica é pragmática: estar onde o cliente já compra. Nos primeiros meses, eletrodomésticos responderam por 72% das vendas do Carrefour na plataforma, seguidos por TV e vídeo (12%), bazar (10%) e eletrônicos (6%). O movimento acontece com o e-commerce brasileiro em expansão, depois de crescer 15% em 2025.
Para quem opera, vender em vários marketplaces com logística própria significa uma exigência central: estoque único, preço sincronizado e pedido que entra no ERP sem digitação. Sem isso, cada novo canal vira uma nova fonte de ruptura e cancelamento.
A próxima camada: agentes que compram
Ao mesmo tempo, o comércio agêntico ganhou espaço nos principais encontros do setor. Nesse modelo, agentes de IA pesquisam produtos, comparam opções e fecham compras em nome do consumidor. Em palestra no Latam Retail Show 2026, realizado em setembro em São Paulo, a vice-presidente da WGSN, Andrea Bell, defendeu que, quanto mais a tecnologia assume a jornada, mais valor ganham as experiências sensoriais e emocionais da loja física.
Na infraestrutura de pagamentos, o tema também avança na região: Santander e Visa concluíram pilotos controlados de pagamentos agênticos em países como Brasil, Argentina, Chile, México e Uruguai.
O que o varejista precisa resolver
- Dados de produto estruturados: agentes e marketplaces leem atributos, não fotos bonitas. Cadastro completo virou ativo comercial.
- Estoque em tempo real entre canais: vender no próprio site, em três marketplaces e na loja física exige uma fonte única de verdade.
- Integração ERP–marketplace robusta: filas, reprocessamento e monitoramento, para que pico de venda não vire pico de erro.
- Loja física com propósito: se a compra rotineira migra para agentes, a loja precisa oferecer o que o algoritmo não entrega.
Fontes
